segunda-feira, 30 de julho de 2007

neve

faz frio lá fora
e embora
eu nunca tenha visto a neve,
sei que minha alma

dói agora
como se minha pele tocado-a tivesse.

meu coração está sombrio
assim como o dia frio
que me rodeia,
se esfriar mais um pouco
minhas lágrimas viram gelo
e minha vida desincendeia.

tudo assim miudinho

como o resto que sobra

do meu mundinho,
como minha imagem desbota
e não pertenço a esse ninho

em que fui posta.

ah... Meu Deus...
pra que o livre-arbitrio

se nãp posso estar aí com os seus
agora?

quarta-feira, 25 de julho de 2007

...


eu queria que em algum lugar nesse mundo houvesse um espacinho onde eu coubesse certinho

...

terça-feira, 24 de julho de 2007

...a noite...

quando a noite vem é para apagar
as cinzas caídas do dia,
e quem melhor que ela para segredar
os desejos mortais e a ruína?

quando a morte vem é para apagar
as cinzas caídas da vida,
e quem melhor do que ela para segredar
os erros mortais e a esperança fugidia?

quero um trocadilho com as horas
jogo um jogo destrutivo com a minha memória
e respingo sem querer nas bordas
do que poderia ter sido aquilo que jamais seria...

tenho medo de estar sozinha
mas não sempre, as vezes eu até gosto
e tenho medo de inocente e fria
esquecer do esquecimento eterno que não gozo.

queria viver uma história
mas para isso é preciso mais que o meu sangue
eu preciso antes da vitória
de quem sou hoje sobre a pessoa de antes...

ah... e como demora...
se me quero viva é preciso antes morrer
em mim mesmo estar re-adormecida
para em fim não adormecer.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

gota

gota

uma luz incide e sua refração é refratada
tem-se a imagem no espelho formada
eu vejo o meu corpo, o espírito é segredo...

quando a chuva cai pela cidade
me sinto perto, à um passo da eternidade
talvez porque o céu reflete as lágrimas que trago dentro...

um prisma fraciona a luz em todos os tons possíveis
a chuva fraciona a minha dor em todas as dúvidas possíveis
e assim sei que sou eu, não sou outro...

a água tem o poder de alinhar suas moléculas
de acordo com a energia das arestas
ao seu redor...

eu vejo numa gota o suspiro do meu coração
e encerro em outra meu pensamento em contradição
e sou só um oceano... de incertezas.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

...a madrugada também é boa amiga... à ela, ao travesseiro, aos goles de vinho, aos meus bons amigos...

Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.

Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.

Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.

Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Silêncio

.
.
.
.
e sensatez...
palavras
e insensatez...
loucura
e essa palidez...
meu coração suspira
e eu nada posso saber.
.
.
.
.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Suave, fria e doce...

cada toque de seu sentido
chuva tranqüila e calma
que vem aliviar meu suspiro
e vem embalar minha madrugada.

Te quero, cada gota...
vem brindar-me como aos poetas antigos.
Molha minha alma...
leva meu pesar contigo.

Posso sentir a voz do seu sussurro
e posso me brindar com o mundo,
posso tripudiar de tudo
com a coragem de um louco vagabundo...

Mas, pena de mim, que não posso ainda
deitar-me a luz das estrelas com sua melodia,
e nem posso pôr me na entrelinha
do seu suave lampejo de Frigga.

domingo, 15 de julho de 2007

enfim, a madurgada

e eu finalmente desperta para poder saudar-lhe...
chego a me sentir roubada
pela paixão que tenho e venho dar-lhe.

como doce e eterna madrugada
poderia eu roubar-lhe
o sentido que traz a minha vida?
fico sem saída a desejar-lhe.

Dia após dia desesperada
de afogar minhas lágrimas e entregar-lhe
o dúbio suspiro de minhas dádivas
que crescem como um rio a represar-lhe.

... e eu calada...
no imenso vazio de extinguir-lhe,
minhas palavras, não quero nada,
quero antes tão somente traduzir-lhe

o dilema de minha mente cansada,
que ao ver seu semblante
se restaura e eu me sinto de uma vez salva
do suave veneno dançante

desta minha alma.

sábado, 14 de julho de 2007

...mais uma de amor...

é ruim pensar que existe um mundo lá fora,
e que ele continua girando,
com ele os pontos do relógio e as horas
e você se esgueirando
pelos canteiros sombrios do tempo
enquanto o mundo passa
e com ele o seu leve desespero
crescente repassa
pela sua mente inconseqüente
tudo aquilo que viu partir,
seus erros, derrotas e rompantes
da memória que não deixa de existir.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

...o que sobra de uma poesia...

eu sempre fui uma poetiza, filósofa, libertina...
pois como não me entregar a melodia
que a noite suavemente destila?

como uma taça pode não conter vinho
que docemente embreaga o caminho
dos mortais perdidos e sozinhos?

às ternuras da terra entreguei-me
e o que mais encanta é ter me entregue
no fim de tudo à paz das santas.

se pode ganhar o mundo sem perder o céu
por que ter só um pouco de cada e ficar ao léu?
quero antes matar a sede da minha garganta.

deixai-me embriagar o álcool
adornai minha vaidade
que o sangue de minhas veias
tem em cada gota um toque de eternidade.

quinta-feira, 12 de julho de 2007

cada segundo descobre um dia

o véu da noite foi posto ao chão agora
e tudo o que resta são as lágrimas que o dia chora,
não há nada que eu possa fazer
a noite vem e vai sempre tecer...

a noite nua já não me embala
e preciso pisar as pegadas da manhã árida
até o anoitecer
e então ver o céu enlouquecer...

e um pedaço do meu nada
pra satisfazer minha alma
e não me perder
entre as escadas escuras e o alvorecer...

...se me perguntas se a noite sombria me agrada
e se perguntas ainda o porquê...
eu te direi que não é nada
é só minha mania insana de sobreviver.

quarta-feira, 11 de julho de 2007

(suspiro)

Eis que sinto o doce sabor da lua
e nele o prenúncio do mundo dos sonhos flutua...
Me preparo para a noite
como uma bacante
...ah, se Orfeu tivesse sacerdotisas...

terça-feira, 10 de julho de 2007

...dignai-me a madrugada...

por que se a passo toda desacordada...
no mundo da fantasia?
shakespeare não mentia
quando afirmou que somos feitos da mesma matéria dos sonhos.
Quando a noite vem e a madrugada
me aquece
no fino frio que tece
posso enfim dizer que a liberdade me ensinou que nela reside todo o prazer.
E quando meus olhos se cerram
só faço anoitecer dentro da minha alma o mistério
que orfeu guardou e baco fez etéreo,
assim posso lembrar como mário que sonhar é acordar-se para dentro.


...posso então trocar a realidade de um dia quente
pelo doce vácuo de uma noite tênue...

segunda-feira, 9 de julho de 2007

...uma e outra...

e tudo permanece igual,
nem sei dos pensamentos que já perdi
nesse temporal
e eu aqui...

a imagem se destoa
e não há nada que se possa refazer
o que ficou pra trás não mais ecoa
e do tempo só posso correr...

e duas madrugadas, mais nada
e dois dias, súbitos
dos ideias, um resmungo
do que vivi, a lembrança

eis que a noite vem
e de mim já não sei
as palavras se perdem
e o poema serei.

sábado, 7 de julho de 2007

...venha madrugada, venha...

que estou eu hoje preparada
para sentir o aconchego dos teus braços de seda
e do dia de amanhã não sei mais nada
além do desejo de estar presa à sua teia...

bela e fria madrugada
eis que hoje não durmo só devaneio
nem me perco no cansaço taciturno
eu sou toda pensamento e lampejo

venha madrugada...

sexta-feira, 6 de julho de 2007

... mais uma madrugada...

e o que resta é apenas o raiar frio de um novo dia
o vento desfazendo a brisa e um feixe de luz tardia,
nem sei se hoje vale mais um gole
do sangue que trago à essa imensa prole...

a madrugada esquecida
meus sonhos engolidos
os desejos da minha mente
o pesar que o coração esconde
minhas lágrimas secas
meu corpo aturdido

a vida nesse frenesi incessante
e eu desejando de uma vez só todos os intantes,
o dia começa e termina
incontável sina.

e em um segundo já não se é mais o mesmo dia

... nem que a exatos três segundos atrás eu tenha imaginado escrever, nem que aquilo que eu escreva seja reflexo do dia que acaba de terminar...

tudo o que eu sei é que quem escreve
o faz por não ter com quem falar.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

...quando o dia termina é que pode recomeçar...

...agora está tudo confuso
vem a névoa me aconchegar
e o que vejo é um dia difuso
num mar de poeira e cinzas no ar...

não há nada que se possa fazer
nada que eu sinta verdade em mim
e tenho a péssima mania de só crer
naquilo que sou capaz de sentir

e por um instante não quero nada e nem ninguém
e nem quero ser...
só quero acordar desse pesadelo mudo
sem rimas nem formas nem nada
sem degradê ou linha restrospecta...

sem motivo...
por que o mundo gira enquanto é noite e eu permaneço dormindo.